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Perfil

 

A sociedade atual estabeleceu que o padrão da realidade de um determinado objeto é sua necessidade, isto é, os objetos e por vezes até as pessoas são definidas não pelo que são, mas para que servem.

Como elemento de cultura, a pintura de André Cunha coloca-se como espaço de resistência ao anti-humano, porque interfere diretamente nas consciências e no sentido de humanizar o próprio ser.

Trata-se de uma pintura onde vamos num contínuo viajar para dentro do quadro que nada mais é que ir para dentro de si mesmo, estabelecendo com o mundo, uma relação de força, onde a intuição prevalece sobre a lógica das aparências.

A quem vê, não se pede que entenda, porém que o sinta como fruto desse trabalho de resistência contra a utilização instrumental do homem pela técnica.

É gratificante participar com ele dessa teimosia, desse trabalho de divulgação e cultura.

Os estímulos artísticos estão a serviço do homem, ou seja, toda grande arte por si mesma é ação recriadora.

 

Francisco Pinheiro

 

 

Biografia

André Luiz Ladeira da Cunha

André Cunha nasceu em 18 de fevereiro de 1967. Seu pai, Salvador, era um Fotógrafo, que, com seu talento, inovava seu trabalho colorindo os retratos, à época apenas reproduzidos em preto e branco. Ele tirava as fotos em ambientes diversos, e, em seu modesto estúdio, revelava as imagens.

Com apenas 4 anos de idade, nesse ambiente criativo, André vivenciou sua primeira experiência artística, ao lado da sua mãe, Dárcia,  retocando as pequenas imperfeições que surgiam dos processos  de revelação das fotos.

    Ainda criança, seus traços marcantes impressionavam os amigos e as pessoas que o assistiam desenhar, freneticamente, seus heróis preferidos das estórias em quadrinhos, com perfeição e cores expressivas.

Ao completar 9 anos, passou a assumir a rotina de ficar no estúdio para que o pai pudesse almoçar e descansar um pouco. Nesse período,  André aproveitou para aprender seu primeiro ofício: fazer fotos 3x4 para documentos, o que era muito comum àquela época.. Mas não ficava apenas nisso... também rabiscava e desenhava o tempo inteiro, inclusive no balcão de madeira da recepção, dando contorno e cores à sua imaginação.

    Em setembro de 1980, aos 12 anos de idade, sofreu muito com o falecimento do seu pai. O estúdio fotográfico foi fechado, e os equipamentos vendidos para suprir as necessidades financeiras da família. Nesse período, André passou a dedicar-se ainda mais aos desenhos. Foi um período muito triste e sombrio...

O garoto que adorava desenhar começou a ser visto com admiração pelos amigos e vizinhos. Uma senhora, Dona Yolanda, emocionada com sua arte e atenta ao seu talento e determinação, decidiu financiar para ele um curso de Desenho Artístico e Publicitário por correspondência no Instituto IBEU. 

Alguns meses depois, antes mesmo de completar o curso, esse talentoso jovem recebeu uma proposta para trabalhar como desenhista em uma gráfica local, Damadá Artes Gráficas e Editora. Nesse período, conheceu o designer Paulo Bastos, que foi seu primeiro orientador, e grande amigo. Aos 16 anos, André assumiu a direção de arte daquela empresa após saída do designer senior. Ali permaneceu por mais dois anos. Após pedir demissão,  investiu em seu próprio atelier, onde produzia sua arte e trabalhava em projetos com desenhos para estamparia de camisas.

Em 1987, rendeu-se à sua vocação maior: tornar-se Artista Plástico. Após estudos direcionados à arte, sentiu-se atraído pelo Surrealismo, em especial, pela vida e obra de Salvador Dali. Nesse momento, teve a certeza de que a arte seria a sua vida. 

Autodidata, muito focado, comprou vários livros sobre técnicas de pinturas e sobre a vida de grandes artistas como Da Vinci, Van Gogh, Gauguin, Picasso, Portinari, Ismael Neri, Lasar Segall e principalmente Dali, artista que o inspirou em suas primeiras obras, em óleo sobre tela com cenas de pássaros extintos da fauna brasileira.

Nesse mesmo ano, recebeu um convite do Professor, Maestro e Psicanalista Roberto Fabbri para uma exposição solo no espaço DCE da UFF, em Niterói. Realizou, assim, sua primeira apresentação individual.

    Com sua temática sempre focada na ecologia e no meio ambiente, retratou cenas de árvores queimadas, pássaros solitários em paisagens desertas, dentre outros. Teve uma fonte de inspiração nas esculturas e fotografias de Frans Krajcberg, na Exposição “Eco Arte”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no ano de 1992. 

Sobre sua expressão artística, nesse período, merece destaque a crítica feita pelo professor, escritor, músico e poeta itaperunense, Valber Meireles:

   "Sua temática principal, a natureza, não é apelativa e nem comercial. Numa mesma tela, uma natureza ressequida e fria entra em contraste com a exuberância das cascatas, de um verde solidário com o mundo. Criar é a bandeira deste nosso artista que se preocupa em mostrar ao mundo sua sensibilidade e suas ânsias."
    Retornando à cidade natal, organizou uma exposição coletiva, nos mesmos moldes das apresentações ocorridas na UFF. Reuniu na Faculdade de Filosofia de Itaperuna Artistas Plásticos, Músicos e Poetas da cidade, dentre eles: Leonardo Pillar, Elizabeth Ximenes, Moisés Fraga, Garibaldi, Valber Meireles, Marcelo do Almo, entre outros.

    Seu interesse pela arte só crescia... E, na mesma proporção, investia esforços para se especializar cada vez mais. Procurava  estar sempre no Rio de Janeiro visitando grandes mostras e exposições de artistas nacionais e estrangeiros, destacando-se uma visita a exposição "Como vai você geração 80?".

     Entre 1990 e 1992, atuou no mercado Norte e Noroeste Fluminense. Trabalhou com pinturas e participou na produção e arte cenográfica da peçal teatral "O Palhacinho Triste”, sob a Direção de Ciça Oliveira. Ainda em 1992 iniciou uma série de exposições na Região dos Lagos.

    Em 1993, produziu a UNIARTE, um grande evento com programação no mesmo formato das exposições da UFF. Contou com a parceria  de Elizabete Ximenez e sua escola de pinturas em porcelana.
Esse acontecimento  ocorreu no Ilha Cisne Clube, em Itaperuna, reunindo mais de 150 artistas nas áreas de pintura, música, teatro e artesanato.

    A pedido do saudoso Dr Renam Catharina Tinoco, concluiu, em 1995,  a pintura de um grande painel para o Hospital São José do Avaí, em Itaperuna. Nesse ano inesquecível, casou-se com Ilsete.

     No ano de 1996, devido a uma aparição de Maria para os irmãos Rodrigo e Ana Paula,  retratou a imagem da "Mãe do Infinito Amor", a pedido.

    Já em 1999, em razão de grande demanda na área de design gráfico, resolveu dar início à empresa Soma Design e Publicidade.

    Em 2002, concomitantemente com seu trabalho empreendedor, aceitou o convite  do Padre Geraldo para realizar a pintura do teto da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Itaperuna. 2004,  dedicou-se  ao trabalho na Igreja Nossa Senhora do Terço, em Campos dos Goytacazes. E, em 2013, iniciou um projeto audacioso de 26 painéis para da Igreja de São Geraldo, em Campos dos Goytacazes. Esse desafio foi concluído no ano seguinte.

    Ainda em 2013, resolveu cessar as atividades da Empresa Soma Design. 

    No ano de 2015,  a pedido do Padre Rodrigo, iniciou e finalizou,  em trinta dias, a pintura do painel sobre a vida de São Francisco de Assis, na Capela do Centro Pastoral de São Francisco de Assis em Raposo-RJ.

    No ano seguinte,  a pedido do Padre Ivo,  deu continuidade à arte sacra. Dessa vez,  era um projeto sobre a vida de Santa Clara, na Paróquia de Santa Clara, distrito de Porciúncula RJ.  Iniciou o projeto em 2016, as pinturas em 2017;  finalizando a obra em 2019.

Iconografia

2017 / 2019 – Pintura Sacra do Altar e teto da Igreja de Santa Clara, distrito de Porciúncula RJ.
2015 – Pintura Sacra painel na Capela Centro Pastoral de São Francisco de Assis, Raposo-RJ;
2013 / 2014 - Pintura Sacra de 26 painéis para da Igreja de São Geraldo em Campos dos Goytacazes;
2004 - Pintura Sacra do Teto da Igreja Nossa Senhora do Terço em Campos dos Goytacazes;
2002 - Pintura Sacra do Teto da Igreja de Nossa senhora de Fátima em Itaperuna
1996 - Pintura Sacra / Retratação de aparição "Mãe do Infinito Amor";
1995 - Pintura do painel para o Hospital São José do Avaí;
1994 - Participação do 1° Salão de Artes Plásticas Norte Fluminense - Cordeiro RJ;
1994 - Exposição coletiva no SESI de Itaperuna;
1993 -  Idealizador, organizador e expositor da 1ª UNIARTE de Itaperuna;
1992 - Exposição individual Centro Cultural Manoel Camargo - Arraial do Cabo;
1992 - Exposição Individual Centro Cultural de Cabo Frio;
1992 - Exposição Individual na Galeria Anexos Collunas;
1991 - Cenografia, Design e Produção Publicitária da Peça Teatral " Chapeuzinho Vermelho, Quem quiser que conte outra.” - Cia de Teatro LUMI - Direção Ciça Oliveira;
1990 - Cenografia, Design e Produção Publicitária da Peça Teatral "O Palhacinho Triste” em 1990 - - Cia de Teatro LUMI - Direção Ciça Oliveira;
1989 - Exposição coletiva no C.E. Dez de Maio - Encontro de Estudantes 
1988 - Exposição coletiva na Faculdade de Filosofia de Itaperuna;
1987 - Exposição individual no Espaço DCE/UFF;

 

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André Cunha

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Detalhe pintura Capela Centro Pastoral de São Francisco de Assis, Raposo-RJ

Instalações de painéis na Igreja de Santa Clara, distrito de Porciúncula RJ.

Detalhe de desenhos realizados na Igreja de Santa Clara, distrito de Porciúncula RJ.

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